18 de março de 2011

Organize

Cada coisa no seu devido lugar.


Objetos ou sentimentos, tudo há de ser posto (ou devolvido) exatamente ao lugar ao qual pertencem.

16 de março de 2011

Âncora

Divagações são poéticas; sonhos são ricos e a imaginação é fértil.

Quando a mente vai muito longe, a realidade perde.

O freio das elocubrações mentais tem que partir de algo mais diário: o propósito.


Sem tarefas ou funções, a vida fica entregue às fantasias.

E isso raramente é bom.

14 de março de 2011

Mudez

Há muitos anos, praticamente desde que me lembro de ter consciência das minhas ações, puno àqueles que me desagradam mantendo um silêncio absoluto.

Já testei meus limites e o desconfiômetro dessas pessoas em escalas impensáveis. Num caso grave familiar, o silêncio frio durou anos.

A raiz dessa atitude talvez esteja na incapacidade de controlar meus sentimentos negativos e também da noção do poder destrutivo da minha eloquência. De qualquer forma, tendo a privar aqueles que me desapontaram ou desagradaram de qualquer palavra próxima por algum tempo já há bastante tempo.


E funciona? Não sei ao certo, e nem tampouco sei se eles encaram isso como punição ou se ficam aliviados pelo meu silêncio.

Sinceramente, espero que sirva pra algo.





9 de março de 2011

Vertentes

O ócio é uma ferramenta multiuso.

Ele pode ser um convite à produtividade criativa tanto como um incentivo a devaneios contraproducentes.

O limite entre as duas vertentes parece estar na quantidade: quanto maior a à-toice, menos produtiva ela é.

Ou talvez a organização seja o catalisador da ação.

Será que ainda descubro?


8 de março de 2011

Consciência amapoesca

Se o dia de hoje fosse uma comemoração por algum ato específico das mulheres, todos os parabéns que estão rolando por aí seriam bem merecidos.

No entanto, ao contrário do que os parabéns distribuídos sugerem, o dia 08 de março é um dia de conscientização, não do caráter especial das mulheres, mas das discriminações que elas sofrem por vivermos em sociedades majoritariamente patriarcais.

Miranda July: Eleven Heavy Things (2010)

Ser patriarcal também significa que as decisões, mesmo quando tomadas em prol das mulheres, são muitas vezes permeadas por conceitos machistas. Afinal de contas, ninguém sai ileso dos efeitos nefastos do machismo; muito menos elas.

A conscientização é sempre o primeiro passo pra mudança.

7 de março de 2011

Escapismo

Se existisse uma passagem secreta mágica que levasse à terra da não-ressaca, eu entraria nela agora.


Vamos?

1 de março de 2011

Recato

Bem, o carnaval nunca foi minha onda.

Não gosto da(s) música(s), não gosto da bagunça, não gosto de como as pessoas se portam.

E detesto a ideia de que alguém precisa ficar bêbado e "louco" pra extravasar.

O que me deixa na seguinta dúvida:

Seria eu muito liberado (que não preciso disso) ou muito reprimido (que não mo permito)?


A alegria contida me interessa, sempre, muito mais.

28 de fevereiro de 2011

My Beautiful ****

Did you see him walking?
Did he come around here, Sir?
Black hair, brown eyes
My Beautiful ****



Swear you would remember

25 de fevereiro de 2011

Elogios tangíveis

Pessoas com alto grau de autoexigência não sabem receber elogios. Ou eles os desacreditam, ou desacreditam nas próprias capacidades. Ser assim é uma triste luta, porque o maior carrasco está sempre à espreita: a própria mente.


Há, no entanto, uma luz no fim desse embrulho: o convívio com outras pessoas exigentes (cuja excelência seja tangível). Um elogio de alguém assim leva o autoexigente às nuvens, pois ele sabe que aquela consideração também foi muito bem pesada, calculada e filtrada pela rede finíssima da crítica do elemento lisonjeiro.

Ainda que não se divida com ninguém (os pudores autocríticos transformam-se em timidez num átimo), vale a pena cada palavra.

23 de fevereiro de 2011

Be the ocean

Às vezes acho que o querer-acreditar tem mais peso que a realidade em si.

Pena que essa força seja tão enganadora.


Até quando as delícias da ilusão vão sobrepujar a calma do real?

Ninguém melhor que Lykke Li para ilustrar essa luta.

Vou seguindo os rios.

14 de fevereiro de 2011

Bem-estou

A minha falta de empolgação intrínseca me impede, com frequência, de aceitar quando realmente me animo com algo. A constância me preserva e me reprime simultaneamente.

O prazer em estar de volta a Curitiba remexeu com essas águas.

De tão agradabilíssima, acho que esta capital é a única, fora Belo Horizonte, na qual eu viveria tranquilamente. A qualidade de vida é tangível.

Há muito os curitibanos e seus governantes descobriram que investir nas pessoas (e não em vias e espaços fechados) é garantia de bem-estar.

Alegria urbana.

7 de fevereiro de 2011

Não fazer

Lição da Cabala de hoje:

Não julgar.

O não-julgamento é uma libertação.

Agora, como conciliar esse preceito com uma habilidade sobre-humana de criticar o mundo já são outros quinhentos.


Lucian Freud ilustra.

3 de fevereiro de 2011

Passo a passo

Will you ever release me?




Aos poucos, vamos.

2 de fevereiro de 2011

Black is beautiful

O negro representa a total renovação.

É também a união de todas as demais cores.

A junção de tudo que já foi captado.


O nada e o tudo juntos.

A cor do começo, a tonalidade do fim.

Tudo pelo novo.

Levando em conta o pregresso.



1 de fevereiro de 2011

Volta

Tomemos um grande e interessante bonde de referências musicais?

A minha ídala-mor, PJ Harvey, está para lançar novo disco neste ano. Como se não bastasse apenas a expectativa musical, a cantora-letrista-instrumentalista se uniu a um fotógrafo jornalístico especializado em conflitos para dirigir clipes para cada uma das canções de Let England Shake.

Deliciemo-nos?



Dirigidos por Seamus Murphy, The Last Living Rose e The Words That Maketh Murder fazem parte de um álbum concebido para refletir mais a situação exterior, ou seja, do planeta, do que as inquietações emocionais de PJ.

Tudo tendo como ponto de partida a Inglaterra.