25 de fevereiro de 2011

Elogios tangíveis

Pessoas com alto grau de autoexigência não sabem receber elogios. Ou eles os desacreditam, ou desacreditam nas próprias capacidades. Ser assim é uma triste luta, porque o maior carrasco está sempre à espreita: a própria mente.


Há, no entanto, uma luz no fim desse embrulho: o convívio com outras pessoas exigentes (cuja excelência seja tangível). Um elogio de alguém assim leva o autoexigente às nuvens, pois ele sabe que aquela consideração também foi muito bem pesada, calculada e filtrada pela rede finíssima da crítica do elemento lisonjeiro.

Ainda que não se divida com ninguém (os pudores autocríticos transformam-se em timidez num átimo), vale a pena cada palavra.

23 de fevereiro de 2011

Be the ocean

Às vezes acho que o querer-acreditar tem mais peso que a realidade em si.

Pena que essa força seja tão enganadora.


Até quando as delícias da ilusão vão sobrepujar a calma do real?

Ninguém melhor que Lykke Li para ilustrar essa luta.

Vou seguindo os rios.

14 de fevereiro de 2011

Bem-estou

A minha falta de empolgação intrínseca me impede, com frequência, de aceitar quando realmente me animo com algo. A constância me preserva e me reprime simultaneamente.

O prazer em estar de volta a Curitiba remexeu com essas águas.

De tão agradabilíssima, acho que esta capital é a única, fora Belo Horizonte, na qual eu viveria tranquilamente. A qualidade de vida é tangível.

Há muito os curitibanos e seus governantes descobriram que investir nas pessoas (e não em vias e espaços fechados) é garantia de bem-estar.

Alegria urbana.

7 de fevereiro de 2011

Não fazer

Lição da Cabala de hoje:

Não julgar.

O não-julgamento é uma libertação.

Agora, como conciliar esse preceito com uma habilidade sobre-humana de criticar o mundo já são outros quinhentos.


Lucian Freud ilustra.

3 de fevereiro de 2011

Passo a passo

Will you ever release me?




Aos poucos, vamos.

2 de fevereiro de 2011

Black is beautiful

O negro representa a total renovação.

É também a união de todas as demais cores.

A junção de tudo que já foi captado.


O nada e o tudo juntos.

A cor do começo, a tonalidade do fim.

Tudo pelo novo.

Levando em conta o pregresso.



1 de fevereiro de 2011

Volta

Tomemos um grande e interessante bonde de referências musicais?

A minha ídala-mor, PJ Harvey, está para lançar novo disco neste ano. Como se não bastasse apenas a expectativa musical, a cantora-letrista-instrumentalista se uniu a um fotógrafo jornalístico especializado em conflitos para dirigir clipes para cada uma das canções de Let England Shake.

Deliciemo-nos?



Dirigidos por Seamus Murphy, The Last Living Rose e The Words That Maketh Murder fazem parte de um álbum concebido para refletir mais a situação exterior, ou seja, do planeta, do que as inquietações emocionais de PJ.

Tudo tendo como ponto de partida a Inglaterra.

4 de janeiro de 2011

2011

A força e o peso das palavras ditas aqui têm me assustado um pouco.

A inspiração se esvai ou se esconde, ou eu não tenho coragem de explorá-la.

Mas janeiro é época de esperança de renovação e eu sou sempre o primeiro a querer ser otimista. A novidade está logo ali.

Acho que o medo é o pessismo como sentimento. Enfrentemo-lo.

Uma imagem que me acalma, apraz e encoraja:


Obra de Marcelo Moschetta.

Feliz 2011!!

28 de dezembro de 2010

Virginia

A verdade é que nunca li a peça ou vi o filme Quem tem medo de Virginia Woolf?, mas esse título, presente na minha infância, já que minha mãe tinha o livro, hoje faz muito mais sentido pra mim.

Virginia Woolf é o tipo de escritor que sempre mexe com as ideias e noções de quem a lê. Com uma destreza incrivelmente sutil, a autora levanta questões sobre o ser humano e suas escolhas difíceis de passar incólume.


Lendo seus contos numa belíssima edição da Cosac-Naify, não pude me furtar de fazer considerações sobre os rumos que as nossas escolhas nos conduzem na vida. É tão fácil sermos levados pela rotina, ou pior, por nossas escolhas inflexíveis, que o questionamento - vindo de nós mesmos ou de outrem, torna-se mister.

É mesmo um pouco assustador perceber que os caminhos que criamos se transformam por vezes em buracos que cavamos e de onde não conseguimos sair.

A não ser pela crítica.

E pela terapia, muita terapia.

14 de dezembro de 2010

Compania

Vários dias passados com a presença constante de outras pessoas me fizeram relembrar do tanto que eu gosto de ficar sozinho.

Não é uma questão de pouca aprazibilidade, chatice ou encheção de saco por parte dessas pessoas, mas sim uma necessidade de organização mental que só se dá quando não há mais ninguém perto.

Mas, como já disse Björk lá nos anos 90:


As much as I
Definitely enjoy solitude
I wouldn't mind
Perhaps
Spending
Little time with you


Aqueles poucos (e bons) para quem eu dedico esse trecho devem se encaixar nesse 'you'.


Sometimes, sometimes



It smittens me with hope.

13 de dezembro de 2010

Take me to your inner city

Múltiplas são as explicações para o silêncio aqui; por isso me abstenho de postar justificativas.

Menos dramaticamente falando, eis aqui uma banda que caiu muito no meu agrado:


Hermanos Inglesos têm sido a trilha sonora perfeita para as minhas pseudoférias.

Que vença o repouso.

15 de novembro de 2010

Teorias sobre a prática

Muitos são aqueles que dizem que o passado está contido no presente, pois sem aquele não existiria este.

O que pouco se diz é como o futuro também está no agora - e não estou falando de planejamento.

No Budismo, a plena presença no presente é uma condição sine qua non para se libertar das amarras da existência. Essa ideia muito me apraz. Contudo, como fazer para pensar adiante sendo que o presente é tão imperativo?

Acredito que plantando e cultivando as ações cujas consequências estão enraizadas no presente momento. Ao meu ver, planejar não é viver fantasiosamente em ideias sobre o futuro (apesar de esse exercício mental ser de uma inegável gostosura), mas sim tornar o devir possível a partir do hoje.

(Wolfgang Tillmans)

Filosófico?

Não, prático mesmo.

9 de novembro de 2010

4

Arrependimento é a mesma coisa que culpa?

Ou é movido por ela?

Qual origina qual?

Como?

8 de novembro de 2010

Autoconvencimento

Há alguns anos, uma amiga, questionada por outra pessoa sobre a minha recusa a um convite feito logo antes, respondeu:

"Ele é muito voluntarioso!"

Tal palavra nunca tinha me passado pela cabeça para descrever a mim mesmo, mas confesso que ela caiu como uma luva.

Eu faço apenas aquilo que quero, quando sinto vontade de fazer.

Obviamente, isso não é em si de todo positivo. Ser governado pelas próprias vontades pode levar a um egocentrismo pouco agradável.

Como então transformei isso em algo mais palatável?

Descobrindo novas vontades. Às vezes me convenço de que devo fazer aquela coisa, pelo bem da flexibilidade, e aí o desejo de me tornar mais flexível me faz fazer algo que não faria se não tivesse pensado nisso.

Fez sentido? Para mim, sim.

4 de novembro de 2010

Releitura

As maiores decepções da vida são causadas por nossas próprias expectativas desmesuradas e, à medida em que amadurecemos, começamos a crer que o mundo fica mais real, menos pautado em sonhos desejudos.

Nem sempre.

Dennis Oppenheim - COMPRESSION-FERN


A fraqueza de um momento pode gerar dúvidas profundas, as quais, muitas vezes, nos conduzem a respostas fáceis - aquelas mesmas que já conhecíamos e que com frequência não se mostram as mais adequadas para novas questões que se impõem.

Profundo?

Não, bem real mesmo.