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8 de fevereiro de 2010

Do cult ao kitsch: o pop não me compromete

Quem convive com pessoas cult no seu dia-a-dia conhece a metidez, digo, ojeriza que elas têm frente a tudo que é do povo, digo, popular. Antes de defini-los por aquilo que eles fazem, esses indivíduos se caracterizam por aquilo que eles não fazem ou gostam. No nosso Brasilzão sem porteira, ser cúltico significa:

  • odiar todo e qualquer programa de TV (aberta então é um crime);
  • enojar-se com o axé, o sertanejo e o pop;
  • não suportar o carnaval idealisticamente;
  • etc, etc, etc.

Como frequentador bastante assíduo dos meios de produção e divulgação da cultura, encontro-me assaz frequentemente com pessoas dessa seita. Os mais desavisados diriam até que faço parte desse time, mas há algo importante que me exclui dessa seleta de legumes importados: eu AMO o pop!

Eu adoro ouvir (e dançar) Beyoncé, Lady Gaga, Rihanna, Britney, Madonna e toda essa turminha. Acho irrestível; é um ritmo que atinge qualquer homo sapiens - deve estar inclusive no DNA. E voltando para Pindorama, quem não se vê nas letras sofridas do sertanejo? Ou não pula pra levantar poeira? Faço tudo isso e muito mais.

E para quem gosta disso e não quer se sentir menos intelectual, criou-se a categoria kitsch. É barango, mas dá para aplicar um conceito: é kitsch!

Kitsche-se

Eis então que me deparo com a seguinte declaração de Brian Eno (se você é cult, tem que conhecer):

"Kitsch é a desculpa dos intelectuais para se permitirem sentir algo comum com a maior parte das pessoas de quem eles querem se distanciar."

Lindo, né? O pop não me compromete.

So put your hands up!

10 de setembro de 2009

Popularizando Shakespeare com Madonna

Em homenagem aos quase 4 anos de lançamento do single de Hung Up e num clamor pela volta dos melhores dias ou a aposentadoria de Madonna, eis que ponho aqui minha famigerada tradução de tal cançã:

O tempo passa... de-vagar
O tempo passa... de-vagar

Chorus:
Cada cousinha que você diz ou faz
Eu gamei... Eu gamei ni ocê
Vê se liga logo, eu já cansei
Eu cansei
Eu desliguei n'ocê

O tempo passa lento pr'aqueles que espera
Não dá pra hesitar
Aqueles que vão
São os que mais acha bão
Eu 'garrei
Eu cansei de esperar

O tempo passa... de-vagar
O tempo passa... de-vagar

Chorus repeat

Trim, trim, trim
Toca o telefone
A luz tá acesa, mas ali não tem hômi
Tic-tic-tac
Já são 15 pr'as 2h
E já deu! Cansei de esperar

Eu num guento
Esperar por você
Eu sei que ocê tá hesitando
Num chora por mim
Porque eu já me arranjei
Se você não é gay...
Até mais meu bem.

Chorus repeat

É sempre um prazer tornar a língua de Shakespeare acessível em Pindorama!

22 de setembro de 2008

Madonna, bem de perto

Madonna, em foto tirada por mim (Stade de France, Paris - 21/09/2008)


Houve uma época que eu vivia a vida e o que eu esperava dela através da Madonna. Foi naqueles tempos muito, muito chatos da adolescência, quando se percebe que é diferente de todos e que ninguém (aparentemente) gosta ou se interessa pelas mesmas coisas que você.

Naqueles dias, meses e anos, muitas vezes, a única coisa que me trazia alegria e alívio era ver as estripulias, clipes, livros, poses e idéias de Madonna. Era um fã incondicional e fanático mesmo, digamos assim. Depois que finalmente arrumei a minha vida, com amigos, namorês e pessoas com quem me identificasse, deixei um pouco o incondicional e fanático, mas continuei fã dela.

Ontem, no show da turnê Sticky and Sweet, voltei um pouco àquela época da Madonna por mim e todos por ela. Queria vê-la de perto, suas expressões, sua pele (até pra poder ver se esté mesmo tão plastificada) e seus movimentos. Para minha surpresa e minha nostalgia aguda, não fiquei nem um pouco decepcionado. Apesar da pouco-legalzice das performances ao violão, Madonna ainda é tudo aquilo que eu sempre gostei: ousada, irreverente, divertida, destemida. Sua campanha pró-Obama choca de tão aberta e sem véus.

Ela explode em energia em diversos momentos, sempre levando os fãs aonde quer, ou seja, à diversão. Por várias e várias vezes a vimos dizendo que queria que os espectadores se divertissem, que participassem. Quem éramos nós para desobedecer? O xou é um espetáculo, com perdão do trocadilho.

Momento favorito: a canção "She's Not Me", apesar de não acompanhada por figurino ou coreografia especiais, foi uma das melhores, senão a melhor, na opinião deste colunista. Por quê? Para mim, essa é uma das músicas mais pessoais do disco Hard Candy. Apesar de ela se esconder atrás dos óculos escuros (que eu quase peguei quando ela os atirou), dava para perceber o quanto dela tinha naquela canção. E os fãs querem é isso: mais Madonna, mais Rainha do Pop. Tanto faz se é a estrela ou se é a pessoal real. E vulnerável.

28 de agosto de 2008

Para cada mal existe uma música da Madonna

Hoje percebi mais uma vez algo bastante cabalístico e relojo-biológico ao meu respeito. Destesto acordar cedo! Reforço aqui a minha não-matutinidade, apesar de estar postando logo de manhã (notem o paradoxo).

Quando acordo cedo, e por cedo quero dizer antes das humanamente toleráveis 7 da manhã, sou cometido por um mal-humor tão cítrico e uma preguiça de tudo tão forte que sofro, meu bom INRI! Pensei que fosse me acostumar a essa nova rotina, mas bem percebo que não. Nessas horas vejo que acabo entrando, com grande freqüência, no meu módulo misantropo.

Explico. Há horas na vida de todo ser humano, azedinho ou não, nos quais se odiamos/queremos aniquilar a raça humana. Em mim, a misantropia é principalmente desencadeada pela burrice em geral, mas especialmente a no trânsito. Nesses momentos, tento ter pensamento budo-cristãos, de compaixão e pena, mas a raiva se me impõe! Para que tanta gente para encher o saco? É a pergunta filosófica do século.

misantropia - a tendência do ano

No entanto, nessas horas de azedume, pego com Madonna e penso sticky and sweet e tudo tende a passar. Já disse e repito: Madonna makes the people come together, yeah.

Eu vou ao xou.

10 de julho de 2008

Tal qual a Fênix do X-men, retorno das cinzas após anos de silêncio. Desta vez prometo ser mais freqüente, mais informativo e sempre mais ácido, tal como todos gostam.

Aproveitando essa empolgaçã, já posto aqui mais uma de minhas famosas traduções de letras de música, desta vez de Madonna - Give it 2 Me:

Dá-me isso,
ninguém te mostrará, como
dá-me isso
ninguém me parará, agora

Fineza ler tudo com sotaque português.