Will you ever release me?
Aos poucos, vamos.
3 de fevereiro de 2011
2 de fevereiro de 2011
Black is beautiful
O negro representa a total renovação.
É também a união de todas as demais cores.
A junção de tudo que já foi captado.
O nada e o tudo juntos.
A cor do começo, a tonalidade do fim.
Tudo pelo novo.
Levando em conta o pregresso.
1 de fevereiro de 2011
Volta
Tomemos um grande e interessante bonde de referências musicais?
A minha ídala-mor, PJ Harvey, está para lançar novo disco neste ano. Como se não bastasse apenas a expectativa musical, a cantora-letrista-instrumentalista se uniu a um fotógrafo jornalístico especializado em conflitos para dirigir clipes para cada uma das canções de Let England Shake.
Deliciemo-nos?
Dirigidos por Seamus Murphy, The Last Living Rose e The Words That Maketh Murder fazem parte de um álbum concebido para refletir mais a situação exterior, ou seja, do planeta, do que as inquietações emocionais de PJ.
Tudo tendo como ponto de partida a Inglaterra.
4 de janeiro de 2011
2011
A força e o peso das palavras ditas aqui têm me assustado um pouco.
A inspiração se esvai ou se esconde, ou eu não tenho coragem de explorá-la.
Mas janeiro é época de esperança de renovação e eu sou sempre o primeiro a querer ser otimista. A novidade está logo ali.
Acho que o medo é o pessismo como sentimento. Enfrentemo-lo.
Uma imagem que me acalma, apraz e encoraja:
Obra de Marcelo Moschetta.
Feliz 2011!!
28 de dezembro de 2010
Virginia
A verdade é que nunca li a peça ou vi o filme Quem tem medo de Virginia Woolf?, mas esse título, presente na minha infância, já que minha mãe tinha o livro, hoje faz muito mais sentido pra mim.
Virginia Woolf é o tipo de escritor que sempre mexe com as ideias e noções de quem a lê. Com uma destreza incrivelmente sutil, a autora levanta questões sobre o ser humano e suas escolhas difíceis de passar incólume.
Lendo seus contos numa belíssima edição da Cosac-Naify, não pude me furtar de fazer considerações sobre os rumos que as nossas escolhas nos conduzem na vida. É tão fácil sermos levados pela rotina, ou pior, por nossas escolhas inflexíveis, que o questionamento - vindo de nós mesmos ou de outrem, torna-se mister.
É mesmo um pouco assustador perceber que os caminhos que criamos se transformam por vezes em buracos que cavamos e de onde não conseguimos sair.
A não ser pela crítica.
E pela terapia, muita terapia.
14 de dezembro de 2010
Compania
Vários dias passados com a presença constante de outras pessoas me fizeram relembrar do tanto que eu gosto de ficar sozinho.
Não é uma questão de pouca aprazibilidade, chatice ou encheção de saco por parte dessas pessoas, mas sim uma necessidade de organização mental que só se dá quando não há mais ninguém perto.
Mas, como já disse Björk lá nos anos 90:
As much as I
Definitely enjoy solitude
I wouldn't mind
Perhaps
Spending
Little time with you
Aqueles poucos (e bons) para quem eu dedico esse trecho devem se encaixar nesse 'you'.
Sometimes, sometimes
It smittens me with hope.
13 de dezembro de 2010
Take me to your inner city
Múltiplas são as explicações para o silêncio aqui; por isso me abstenho de postar justificativas.
Menos dramaticamente falando, eis aqui uma banda que caiu muito no meu agrado:
Hermanos Inglesos têm sido a trilha sonora perfeita para as minhas pseudoférias.
Que vença o repouso.
15 de novembro de 2010
Teorias sobre a prática
Muitos são aqueles que dizem que o passado está contido no presente, pois sem aquele não existiria este.
O que pouco se diz é como o futuro também está no agora - e não estou falando de planejamento.
No Budismo, a plena presença no presente é uma condição sine qua non para se libertar das amarras da existência. Essa ideia muito me apraz. Contudo, como fazer para pensar adiante sendo que o presente é tão imperativo?
Acredito que plantando e cultivando as ações cujas consequências estão enraizadas no presente momento. Ao meu ver, planejar não é viver fantasiosamente em ideias sobre o futuro (apesar de esse exercício mental ser de uma inegável gostosura), mas sim tornar o devir possível a partir do hoje.
(Wolfgang Tillmans)
Filosófico?
Não, prático mesmo.
9 de novembro de 2010
8 de novembro de 2010
Autoconvencimento
Há alguns anos, uma amiga, questionada por outra pessoa sobre a minha recusa a um convite feito logo antes, respondeu:
"Ele é muito voluntarioso!"
Tal palavra nunca tinha me passado pela cabeça para descrever a mim mesmo, mas confesso que ela caiu como uma luva.
Eu faço apenas aquilo que quero, quando sinto vontade de fazer.
Obviamente, isso não é em si de todo positivo. Ser governado pelas próprias vontades pode levar a um egocentrismo pouco agradável.
Como então transformei isso em algo mais palatável?
Descobrindo novas vontades. Às vezes me convenço de que devo fazer aquela coisa, pelo bem da flexibilidade, e aí o desejo de me tornar mais flexível me faz fazer algo que não faria se não tivesse pensado nisso.
Fez sentido? Para mim, sim.
4 de novembro de 2010
Releitura
As maiores decepções da vida são causadas por nossas próprias expectativas desmesuradas e, à medida em que amadurecemos, começamos a crer que o mundo fica mais real, menos pautado em sonhos desejudos.
Nem sempre.
Dennis Oppenheim - COMPRESSION-FERN
A fraqueza de um momento pode gerar dúvidas profundas, as quais, muitas vezes, nos conduzem a respostas fáceis - aquelas mesmas que já conhecíamos e que com frequência não se mostram as mais adequadas para novas questões que se impõem.
Profundo?
Não, bem real mesmo.
25 de outubro de 2010
Passado que apraz
Como otimista e antinostalgia que sou, nunca gostei muito de olhar para o passado em busca de inspiração. Ledo foi o meu engano, porque, como diria Leslie Feist: so much past inside my present. Não existe presente sem o passado - e não estou falando cronologicamente.
Quem sabe, ao invés de movimentação pelo repúdio, o passado não pode tornar-se uma fonte de renovação?
O retrô pode abrigar o moderno
12 de outubro de 2010
Silvicultura
O germinar da semente está a longos anos do florescer da árvore.
Pessoas com histórias difíceis muitas vezes não têm um único recurso ou ideia de
socorro a não ser aquilo que elas mesmas criaram para se defender. Em outras palavras, a única pessoa que elas aprendem a contar é com elas mesmas.
Uma estratégia de sobrevivência um tanto sábia e, no auge das dificuldades infantis, a mais madura. Entretanto, à medida que a infância vai se tornando adultez, a situação se reverte e, aquilo que uma vez foi atitude madura transforma-se em ações assaz egoísticas - com frequência chamadas imaturidade.
A experiência também faz reconhecer e diferenciar aquilo que é adubo daquilo que é material para a poda.
Um pouquinho de reflexão ajuda também.
10 de outubro de 2010
4 de outubro de 2010
Dominação
Os adolescentes vão dominar o mundo. Arte após arte, moda após moda, os indivíduos com menos de 20 anos parecem exercer uma influência cada vez mais forte na nossa sociedade. O que antes era restrito à faixa etárias desse grupo passa a ser apresentado de maneira crescente a outros públicos. E estamos gostando?
Se depender do filme Eu matei minha mãe, de Xavier Nolan, minha resposta é sim. Escrito, dirigido e atuado pelo quebequense de 20 anos (18 à época das filmagens e 16 quando o script foi escrito), o filme trata da relação sufocante entre um adolescente em crise e sua confusa mãe, em choque com as ideias e necessidades do rapaz:
O filme ganhou vários prêmios, incluindo alguns em Cannes, e acaba de entrar na minha lista de favoritos de 2010 (apesar de ter sido lançado em 2009).
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