4 de novembro de 2010

Releitura

As maiores decepções da vida são causadas por nossas próprias expectativas desmesuradas e, à medida em que amadurecemos, começamos a crer que o mundo fica mais real, menos pautado em sonhos desejudos.

Nem sempre.

Dennis Oppenheim - COMPRESSION-FERN


A fraqueza de um momento pode gerar dúvidas profundas, as quais, muitas vezes, nos conduzem a respostas fáceis - aquelas mesmas que já conhecíamos e que com frequência não se mostram as mais adequadas para novas questões que se impõem.

Profundo?

Não, bem real mesmo.

25 de outubro de 2010

Passado que apraz

Como otimista e antinostalgia que sou, nunca gostei muito de olhar para o passado em busca de inspiração. Ledo foi o meu engano, porque, como diria Leslie Feist: so much past inside my present. Não existe presente sem o passado - e não estou falando cronologicamente.

Quem sabe, ao invés de movimentação pelo repúdio, o passado não pode tornar-se uma fonte de renovação?

O retrô pode abrigar o moderno


12 de outubro de 2010

Silvicultura

O germinar da semente está a longos anos do florescer da árvore.

Pessoas com histórias difíceis muitas vezes não têm um único recurso ou ideia de
socorro a não ser aquilo que elas mesmas criaram para se defender. Em outras palavras, a única pessoa que elas aprendem a contar é com elas mesmas.

Uma estratégia de sobrevivência um tanto sábia e, no auge das dificuldades infantis, a mais madura. Entretanto, à medida que a infância vai se tornando adultez, a situação se reverte e, aquilo que uma vez foi atitude madura transforma-se em ações assaz egoísticas - com frequência chamadas imaturidade.


Otimista que sou, não posso deixar de notar que a maturidade é um processo em si. Não se nasce maturo ou imaturo; são as experiências que nos tangem que nos fazem, espera-se, lidar de maneira mais fluida com a vida.

A experiência também faz reconhecer e diferenciar aquilo que é adubo daquilo que é material para a poda.

Um pouquinho de reflexão ajuda também.

10 de outubro de 2010

4 de outubro de 2010

Dominação

Os adolescentes vão dominar o mundo. Arte após arte, moda após moda, os indivíduos com menos de 20 anos parecem exercer uma influência cada vez mais forte na nossa sociedade. O que antes era restrito à faixa etárias desse grupo passa a ser apresentado de maneira crescente a outros públicos. E estamos gostando?

Se depender do filme Eu matei minha mãe, de Xavier Nolan, minha resposta é sim. Escrito, dirigido e atuado pelo quebequense de 20 anos (18 à época das filmagens e 16 quando o script foi escrito), o filme trata da relação sufocante entre um adolescente em crise e sua confusa mãe, em choque com as ideias e necessidades do rapaz:


O filme ganhou vários prêmios, incluindo alguns em Cannes, e acaba de entrar na minha lista de favoritos de 2010 (apesar de ter sido lançado em 2009).


30 de setembro de 2010

Camões de hoje

Planejar é preciso, fritar não é preciso.

Executar é preciso, procrastinar não é preciso.

Pesquisar é preciso, acumular não é preciso.

Inferir é preciso, parodiar não é preciso.



E eu preciso seguir meus próprios conselhos.

25 de setembro de 2010

Operações matemáticas

É tão entristecedor perceber que as pessoas usam as ferramentas comunicativas da atualidade para autopromover a mediocridade.

Muita gente parece confundir acesso à informação com produção cultural. Não é só porque se obtém informação facilmente que se produz algo relevante, interessante ou inovador. Antes que absorver tudo, deve-se filtrar o todo. E isso é só o primeiro estágio.

Sem mais delongas, eis uma lista das coisas mais irritantes e mentalmente pobres que se veem por aí e aquilo a que elas NÃO EQUIVALEM:

  • Leitores de revistas de moda ≠ Propagadores de estilo
  • Detentores de câmeras digitais ≠ Captadores de imagens intrigantes
  • Baixadores de música ≠ DJs
  • Bonitinhos ≠ Modelos
  • Replicadores de frases feitas ≠ Escritores
  • Falastrões irrelevantes ≠ Formadores de opinião
  • Frequentadores de lugares da moda/cults ≠ Criadores de tendências



Que chatice.

23 de setembro de 2010

Ditado

Se tem uma frase que é verdadeira no mundo, principalmente nos dias atuais, ei-la:

Cabeça vazia é oficina do Diabo.

Os antigos sabiam das coisas, né?

20 de setembro de 2010

M de maduro



Ainda bem que a nossa experiência realmente serve para algo, não? Se não fosse a sabedoria, adquirida com a maturidade, de que as coisas se repetem e que por isso devemos aprender com nossos erros, o que seria do nosso bem-estar atual?

Hoje mesmo fui assaz sábio em controlar meu azedume em relação a uma pessoa próxima, cortando assim uma corrente de negatividades que podia nos ter atingido com muita força.

Ai, fiquei contente.

Alegrias que surgem do convívio.

18 de setembro de 2010

Yom Kippur

Se adaptar-me é preciso, às vezes faltam-me os meios.

Tendo um nível de concentração lamentavelmente baixo, para mim é extremamente difícil conseguir me dedicar a algo que exija a minha atenção quando há distrações em volta.

Claro, isso é algo de muito comum. O problema é que quase tudo me desconcentra. Música, televisão, pessoas conversando, o calor, tentações internéticas, barulhos aleatórios... Tudo é motivo para minha concentração se esvair.

Juro que tento me adaptar e forçar os pensamentos a se reunirem e as ações se concretizarem, mas esse trabalho é árduo.

Desejos destrutivos tomam conta de mim.

16 de setembro de 2010

De 2

A música eletrônica sempre teve um pezinho no pequenismo. Com algumas notáveis exceções, os projetos eletrônicos mais interessantes foram obra de poucos, às vezes de uns.

Acaso ou não, os duos eletrônicos costumam trabalhar muito bem. Duplas como as do Air, Daft Punk, Justice, Röyksopp e The Knife vêm há algum tempo mostrando que duas cabeças pensando e produzindo música são melhores que uma.

E há uma nova safra bem boa surgindo. Espia só:






Dois é bom e demais.

Publicado originalmente no SWAB.

14 de setembro de 2010

Trem de pensamento

Não é sem pesar que eu percebo que não ter nada para fazer não significa paz cerebral.

Tem vezes que a cabeça está tão ativa que até música se torna um objeto de obsessão pensamental. Eis que se lança a pergunta modernidade ou personalidade?




E mais pragmaticamente: como fazer para calar a mente?

Sei que existe meditação, mas se ela fosse um processo fácil, haveria muitos mais monges por aí.

Crê-se.


13 de setembro de 2010

Equações de tempo

Estou a cada dia mais seguro de que, se simplificar as coisas fosse tarefa fácil, a vida seria infinitamente mais simples.

Parece ser uma questão puramente matemática: as variáveis dificultosas são tantas e tão múltiplas que subtrair as distrações e encontrar a solução de um problema pequeno adquire proporções imensas.

Esses desvios contraprioritários são os maiores responsáveis por muito sofrimento por aí, mas, infelizmente, acertar no caminho requer reflexão, o que por sua vez requer tempo. E tempo é dinheiro.

Raros são aqueles capazes de se furtar das obrigações mais quotidianas para poder realmente pesar as escolhas e decidir pelo mais frutífero, ainda que menos lucrativo.

O acúmulo, seja de dinheiro, seja de obrigações, não parece mesmo ser a resposta de nenhuma das contas que se nos apresentam.

Se somente tivéssemos tempo para pensar sobre isso.


PS: Hoje é aniversário do meu amigo Adriano, my divine inspiration. Parabéns!


9 de setembro de 2010

Psicoterapia é o novo pilates

Numa escala de 0 a 10, creio que a importância de uma psicoterapia bem-feita para o bem-estar mental e social estaria perto do 11.


A mente sã não só reforça o corpo como constrói a casa.

8 de setembro de 2010

I S2 FL

Não acho justo que meus leitores lusófonos não compartilhem meu amor e admiração pelo mais bonito e interessante modelo brasileiro do momento: Francisco Lachowski.


Natural de Curtiba, Francisco começou a despontar no mundo da moda a partir de uma campanha da Dior.


Como resistir a esses olhos amendoados?



A beleza renascida.